classedeSargento

sexta-feira, maio 12, 2006

Quando a realidade ultrapassa... a realidade


Ando a ver uma série televisiva chamada “Roma” – ou “Rome” – no seu título original.
É uma recriação histórica romanceada, mas com um elenco de respeito, um guarda-roupa fabuloso, e uns cenários realistas, que tornam a mesma muito agradável de visionar.
Conta-nos a história de um governante, Caius Júlio César, que chega ao poder graças ao desempenho das forças armadas. A troco de muitas promessas populistas, que se revelam a posteriori completamente falsas, consegue a maioria absoluta no Senado.
Chegado César ao poder, apressa-se a preencher os cargos da administração pública com os seus amigos, e a tão prometida distribuição de riqueza, que visava a equidade social, fica pelos ditos amigos, conjuntamente com alguns chefes militares, corrompidos pelo seu favorecimento em relação a outros, e também por nomeações para cargos altamente bem pagos, após a saída dos mesmos da vida militar.
César, nos discursos de ocasião, nunca deixa de elogiar o desempenho das suas forças armadas no estrangeiro (conquista da Gália, etc.), contudo, na realidade, considera-as desnecessárias, e não só deixa de cumprir as promessas de recompensas feitas anteriormente, como legisla medidas que tornam as condições de vida dos legionários muito piores, o que provoca nos mesmos um sentimento crescente de indignação e revolta.
Ainda não vi o último episódio para saber o desfecho, mas felizmente lembro-me das minhas aulas de História.

sábado, maio 06, 2006



Entrega de Resolução aos Srs. Presidente da República e Primeiro-Ministro


A Resolução aprovada no último Encontro Nacional de Miliatres na situação da Reserva e da Reforma, realizada no passado dia 19 de Abril, na Casa do Alentejo, com a presença de centenas de camaradas de todo o País, foi entregue no passado dia 4 de Maio, no Palácio de Belém e no Palácio de São Bento pelas 18h30, por uma delegação de camaradas na reforma e na reserva, acompanhados por pessoal do activo, da Associação Nacional de Sargentos e da Associação de Praças da Armada, em solidariedade e apoio à delegação composta pela Comissão de Militares da Reserva e da Reforma e de Dirigentes das Associações subscritoras. Foi mais uma acção de luta, que, como vimos no ano transacto, provoca incómodo e resulta sempre. A participação de um número significativo de camaradas foi, certamente, importante e constituiu um poderoso factor de motivação dos Dirigentes e de dissuasão de quem quer prosseguir na senda da degradação do nível de vida da Família Militar e de delapidação dos Direitos Adquiridos em compensação dos enúmeros deveres e sacrifícios inerentes à Condição Militar.
Da audiência concedida por um dos assessores do Primeiro-Ministro ressaltou a fraqueza dos chavões políticos apelativos a uma pseudo politíca social "equitativa", que contraposta com factos concretos e situações absolutamente desiguais, depressa cai por terra.

Destaca-se também, pela sua importância e âmbito, a Vigília Nacional a realizar no dia 11 de Maio, que foi aprovada pelo referido Encontro Nacional. A Vigília decorrerá em 18 cidades e vilas de todo o País, em Lisboa junto à residência oficial do Sr. Primeiro-Ministro (por detrás da Assembleia da República) e terá o seguinte desenvolvimento:

- A partir das 16h00 iniciar-se-á pelos camaradas da Reserva e da Reforma;

- A partir das 18h00 far-se-á a rendição por camaradas do activo, trajando civilmente, após a saída dos serviços, prosseguindo a jornada até às 20h00.
(Nota: a rendição será só para os camaradas que de todo não possam permanecer até às 20h00)
Será sem dúvida mais uma grande jornada na defesa da Condição Militar

A pedido do Faz de Conta - Solidariedade

“Banco Alimentar Contra a Fome, que todos os dias ajuda a colmatar a pobreza e a fome em Portugal e que já a 6 e 7 de Maio próximo estará num supermercado próximo de si, ou então, a APAV - Associação de Apoio à Vítima por apoiar as vítimas de todos os tipos de crimes .Já agora, que não custa nada, passem por aqui se faz favor, e apoiem a velhinha UNICEF, que continua muito coerente com os seus princípios básicos. Ela agradece.Obrigado!"

sexta-feira, maio 05, 2006


S.Exa. o Almirante CEMGFA

Não resisti ao impulso de picar da Visão este apontamento




Manifestação do 25 de Abril

Já que o Sr. Ministro da Defesa entende ir contra a Lei, entende definir os cidadãos Militares como de segunda categoria, e os proíbe de convocar manifestações, nada como aproveitar (aliás seguindo o conselho do próprio Sr. Ministro) as manifestações convocadas por outros.
Foram constantes, ao longo de toda a Avenida da Liberdade, os aplausos à passagem do militares e famílias que seguiam no cortejo. Mais uma bofetada sem mão na face de quem instiga e promove uma campanha persistente que visa denegrir a imagem dos militares e funcionários públicos em geral junto da opinião pública, apresentando-os como privilegiados e desinteressados da resolução dos problemas do País.

Viva o 25 de Abril
Viva Portugal

domingo, abril 23, 2006

iniciativa

quinta-feira, abril 06, 2006


Iniciativa


SEM COMENTÁRIOS

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) está a enviar aos seus clientes mais modestos uma circular que deveria fazer corar de vergonha os administradores - principescamente pagos - daquela instituição bancária. A carta da CGD começa, como mandam as boas regras de marketing, por reafirmar o empenho do Banco em «oferecer aos seus clientes as melhores condições de preço/qualidade em toda a gama de prestação de serviços», incluindo no que respeita «a despesas de manutenção nas contas à ordem». As palavras de circunstância não chegam sequer a suscitar qualquer tipo de ilusões, dado que após novo parágrafo sobre «racionalização e eficiência da gestão de contas», o «estimado/a cliente» é confrontado com a informação de que, para «continuar a usufruir da isenção da comissão de despesas de manutenção», terá de ter em cada trimestre um «saldo médio superior a EUR1000, ter crédito de vencimento ou ter aplicações financeiras» associadas à respectiva conta. Ora sucede que muitas contas da CGD, designadamente de pensionistas e reformados, são abertas por imposição legal. É o caso de um reformado por invalidez e quase septuagenário, que sobrevive com uma pensão de EUR343,45 - que para ter direito ao piedoso subsídio de EUR3,57 (três euros e cinquenta e sete cêntimos!) foi forçado a abrir conta na CGD, por determinação expressa da Segurança Social. Como se compreende, casos como este - e muitos são os portugueses que vivem abaixo ou no limiar da pobreza - não podem, de todo, preencher os requisitos impostos pela CGD e tão pouco dar-se ao luxo de pagar «despesas de manutenção» de uma conta que foram constrangidos a abrir para acolher a sua miséria. O mais escandaloso é que seja justamente uma instituição bancária que ano após ano apresenta lucros fabulosos e que aposenta os seus administradores, mesmo quando efémeros, com «obscenas» pensões (para citar Bagão Félix), a vir exigir a quem mal consegue sobreviver que contribua para engordar os seus lautos proventos. É sem dúvida uma vergonha, mas as palavras sabem a pouco quando se trata de denunciar tamanha indignidade. Esta é a face brutal do capitalismo selvagem que nos servem sob a capa da democracia. Sem respeito pela dignidade humana e sem qualquer resquício de decência, com o único objectivo de acumular mais e mais lucros, eis os administradores de sucesso a quem se aplicam como uma luva as palavras sempre actuais dos «Vampiros» de Zeca Afonso: «Eles \ comem tudo/eles comem tudo/eles comem tudo e não deixam nada.»

sábado, março 18, 2006

Operação “Carcaça”


Ao contrário do que muita gente pensa, a Jornada de reflexão, à hora de almoço, o que levou os Sargentos a não comparecer ao almoço no dia 15 de Março, com adesões perto dos 90% em todo o País, incomodou muita gente. Ao longo do dia, foram recebidos pela ANS dezenas de telefonemas de órgãos de Comunicação Social, alguns que já há meses não se lembravam dos militares, a querer saber notícias desta acção. Também muitos Comandos de Unidades se mostraram incomodados com esta acção, na EMEL por exemplo, o Comando mandou elaborar uma lista do pessoal que não tinha ido almoçar.
Ainda bem que já existia uma lista de toda a gente, senão ia ser complicado…
A jornada atingiu plenamente os seus objectivos: uniu os Sargentos em torno dos seus problemas reais, e chamou a atenção da opinião pública, contrariando aqueles que apregoam ter “amansado” as vozes discordantes.
Prepara-se para breve uma acção com um impacto muito mais visível, que se espera contar com a participação de toda a classe. A situação é preocupante mas não calarão nem a verdade, nem os Sargentos deste País. Saibamos mostrar que, da nossa parte, é o melhor que está para vir.

Missões das Forças Armadas no Estrangeiro



No discurso, de cerca de 40 minutos, de tomada de posse de Sua Excelência o Presidente da República, que é constitucionalmente o Comandante Supremo das Forças Armadas, as ditas Forças Armadas mereceram pouco mais de 30 segundos de referência. O Sr. Presidente da República usou esses 30 segundos para elogiar a prestação das Forças Armadas Portuguesas nas missões fora de Portugal.
A talhe de foice, também merece a pena saber esta história:
No comunicado 02/2006 da ANS vem referida a situação de uma camarada do Exército, 1SAR Enfermeira Raquel Nabais, mas não se contam os pormenores. Esta camarada, contrariando a opinião corrente que só vão para o estrangeiro militares voluntários, foi nomeada para uma missão no Kosovo. Tinha, desde há algum tempo, o seu pai em fase terminal de doença oncológica, com a necessidade mais que óbvia de o acompanhar nos últimos e difíceis momentos. Os pais da camarada tinham inclusive vindo morar de Castelo Branco para Lisboa, para esta melhor os poder ajudar.
Por este motivo, a 1SAR Raquel Nabais pediu superiormente um adiamento da sua ida para a Bósnia (não se recusou a ir, como noticiou alguma Comunicação Social concerteza solidária) e acompanhou este pedido com uma informação médica, que a referia como melhor acompanhante do pai neste período, e com uma lista de pessoal voluntário a ir na sua vez. A resposta do Exército foi passar-lhe Guia de Marcha para Santa Margarida para iniciar a preparação para a missão no Kosovo, nem sequer se dignando a responder à petição. A 1SAR Raquel Nabais foi para Santa Margarida cumprir as suas ordens. Passado muito pouco tempo o pai da camarada faleceu, e a camarada foi-se abaixo e entrou de baixa psiquiátrica. Já vi isto acontecer a muito homem de barba rija, e sem terem passado pela circunstância de a organização os impossibilitar de acompanhar os últimos momentos dos familiares.
Quando esta história chegou à Imprensa, a 1SAR Raquel Nabais foi internada compulsivamente no Hospital Militar, o seu médico assistente foi mudado, e por duas vezes viu todos os pacientes da sua enfermaria virem de fim-de-semana, o que a ela foi proibido. Sem dúvida uma tentativa desesperada, e pouco inteligente, de tapar o sol com a peneira.

sexta-feira, março 17, 2006

IASFA


A situação vivida pelos pensionistas, militares ou familiares dos mesmos, cuja saúde obriga a recorrer à farmácia frequentemente, passou de preocupante a catastrófica. Com a entrada em vigor do novo subsistema de saúde ADM, medicamentos comparticipados na totalidade deixaram de o ser, e pessoas idosas, com doenças crónicas, muitas vezes sem família, e que estiveram, ou tiveram esposos, a lutar por Portugal no Ultramar, são hoje pagos com um desprezo absoluto, remetidos a uma miséria que nos traz ecos, muitas vezes, de situações verdadeiramente desesperadas e compungentes.
No Centro de Apoio Social (CAS) de Oeiras, do IASFA, estão camaradas e viúvas de camaradas nossos, que por força da pensão miserável que recebem, e do custo dos medicamentos que são obrigados a gastar, têm que entregar por completo a sua pensão ao IASFA, para suportar a sua estada, e este dá-lhes dois euros e meio diários como dinheiro de bolso, que mal dará para um café, quanto mais para medicamentos e uma qualquer roupita. É assim que Portugal trata quem empenhou a sua vida a defender a Pátria? É este o futuro que nos espera? É bom que se saiba que, no CAS de Oeiras apenas, o ano passado se registaram 3 suicídios, porque notícias deste género não passam na Comunicação Social.



Breves & Soltas

Do Código de Honra das Forças Armadas Portuguesas:




Feita esta pequena introdução passo a relatar-vos o seguinte:

Reuniu no dia 8 de Março de 2006 a Direcção da Associação Nacional de Sargentos com Sua Excelência o Chefe de Estado-Maior da Força Aérea Gen. Taveira Martins.
Nesta audiência foram abordados vários assuntos que nos trazem preocupados, entre os quais inevitavelmente a manutenção dos processos disciplinares aos militares que alegadamente participaram na vigília junto à residência oficial do Primeiro-Ministro, no ano passado. Sua Excelência o General CEMFA manifestou à ANS a sua concordância com a necessidade de resolver este problema, repito, no dia 8 de Março. Passados dois dias chegou às unidades da Força Aérea um despacho de Sua Excelência o General CEMFA, datado de 6 de Março de 2006, mantendo a punição constante dos mesmos processos disciplinares.

Sensivelmente na mesma altura, foi também recebida a ANS por Sua Excelência o Almirante Chefe de Estado-Maior da Armada. Durante a audiência S. Ex.ª o Almirante CEMA teceu louvores ao movimento associativista sócio-profissional militar e até referiu as diversas realidades europeias. Passados dois dias também, correu nas Unidades de Marinha uma mensagem oriunda do CEMA a recomendar aos militares que se mantivessem afastados de movimentos associativos militares que os pudessem colocar “à margem da Lei”.

A leitura destas duas situações, tão tristemente parecidas, faz-se sem recurso a mais considerandos.

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